Este post faz parte da Blogagem Coletiva sobre o Brasil, proposta pelo Blog Cachorro Solitário (http://www.cachorrosolitario.com/)

Em 15 de novembro de 1889 foi proclamada a república no Brasil. A proclamação de república brasileira foi um ato de poucos agentes sem participação da sociedade, que assistiu ao movimento do dia 15 atônita, sem ter exata consciência do que acontecia.
O que mudou neste últimos 120 anos? Bem, a república foi proclamada um ano após a assinatura da Lei Áurea, que determinou o fim da escravidão no Brasil. Ainda assim o país foi por muitos anos dominado por latifundiários, que exerciam ampla autoridade sobre seus trabalhadores, inclusive nos processos eleitorais. A Igreja Católica, que representava uma grande influência na vida moral e cultural brasileira, perdeu aos poucos o seu poder. Hoje temos um Brasil muito mais moderno e urbano. O país se industrializou, dando origem às grandes metrópoles, a principal delas São Paulo. Já a partir da década de 70, nossa população urbana superou a rural, enquanto isto ocorreu mundialmente apenas no ano de 2008.
Também tivemos avanços na participação popular. Segundo estudiosos, a República é uma forma de governo onde o presidente é temporário e definido pelo povo, dentre o povo, podendo ser democrática ou aristocrática. Foi necessário algum tempo para que a população pudesse realmente exercer o direito de escolha de seus governantes. A República Velha foi marcada pelo voto de cabresto e as fraudes eleitorais. Somente na década de trinta as mulheres tiveram acesso às urnas e o voto passou a ser secreto. Nossa democracia foi também obscurecida por anos de ditadura militar, e apenas em 1989 os brasileiros puderam escolher novamente seu presidente através do voto direto.
Mas parece que os brasileiros ainda estão assistindo atônitos o desenrolar dos acontecimentos políticos nacionais. O direito ao voto, conquistado com tanta luta, é muitas vezes visto como uma desagradável obrigação e exercido de forma irresponsável. Além disso, a simples escolha dos representantes não representa uma participação efetiva da população na vida política do país, é preciso que os eleitores fiscalizem de perto seus governantes. Hoje, temos também instrumentos que permitem a gestão participativa das políticas e recursos públicos, porém é preciso que nos apropriemos de fato deles.
Para ocupar seu espaço na gestão participativa é preciso que a população esteja preparada. Num país onde a educação é sempre relegada a segundo plano, é difícil ter agentes capacitados para este tipo de atividade. Temos por um lado a grande parte dos excluídos, que em sua maioria não tem conhecimento nos canais para lutar por seus direitos, e de outro a classe média conformada (ou inconformada), onde falta atitude na busca por mudanças significativas. Positivamente, temos alguns grupos engajados lutando por causas importantes ao país, mas que representam uma parcela muito pequena do potencial participativo brasileiro.
Portanto a pergunta que me faço ao pensar no aniversário de nossa república é: Qual o Brasil que queremos? Seremos de fato uma democracia? O Brasil do desenvolvimento, da justiça social, da educação e do futuro? Ou continuaremos sendo o Brasil da desigualdade, do jeitinho, do “faço porque todo mundo faz” ou do “não é problema meu”? A resposta a estas perguntas não depende de nossos governantes. Depende de nós, população, fazer o país que queremos.







