Publicado por: Cláudia | fevereiro 21, 2012

Projeto para a sede do ISSEM

Este projeto foi desenvolvido no final de 2011 e obteve Menção Honrosa no concurso de projetos para a sede do ISSEM, Instituto de Seguridade dos Servidores Municipais de Jaraguá do Sul.

A finalidade do concurso era desenvolver um projeto para a sede do ISSEM, que ocupa atualmente um espaço alugado, buscando atender com mais qualidade seu grupo de beneficiários e considerando uma perspectiva de ampliação da capacidade de atendimento por 10 anos. A sede abrigará espaços administrativos, de treinamento e de atendimento médico aos segurados.

O projeto desenvolvido busca destacar o valor da instituição através da arquitetura, com a criação de um edifício único que se configuraria como um marco local. Seu foco é um grande triângulo apoiado sobre um bloco ortogonal. Com composição predominantemente horizontal, o edifício se acomoda no terreno, acompanhando sua topografia natural e dialogando, desta forma, com a paisagem do entorno. Os diversos panos de vidro propostos fundem interior e exterior, levando para dentro do edifício os aspectos naturais do local. Ao mesmo tempo em que apresenta este diálogo com a paisagem, o objeto busca espelhar o caráter dinâmico e inovador da instituição através de formas e materiais contemporâneos.

Além disso, o projeto considera critérios de sustentabilidade, através da adoção de elementos de controle solar, coberturas verdes, reaproveitamento de água, e controle de resíduos de construção.

Os demais projetos vencedores podem ser vistos na página do concurso: http://issem1.tempsite.ws/

Faço, mais uma vez, um agradecimento aos meus colaboradores Etson Delegá, responsável pelo tratamento de imagens e diagramação, Eduardo Leandro e Mônica Yoshinari, que auxiliaram no processo de impressão e montagem das pranchas.

Publicado por: Cláudia | novembro 15, 2009

O Brasil que queremos

Este post faz parte da Blogagem Coletiva sobre o Brasil, proposta pelo Blog Cachorro Solitário (http://www.cachorrosolitario.com/)

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Em 15 de novembro de 1889 foi proclamada a república no Brasil. A proclamação de república brasileira foi um ato de poucos agentes sem participação da sociedade, que assistiu ao movimento do dia 15 atônita, sem ter exata consciência do que acontecia.

O que mudou neste últimos 120 anos? Bem, a república foi proclamada um ano após a assinatura da Lei Áurea, que determinou o fim da escravidão no Brasil. Ainda assim o país foi por muitos anos dominado por latifundiários, que exerciam ampla autoridade sobre seus trabalhadores, inclusive nos processos eleitorais. A Igreja Católica, que representava uma grande influência na vida moral e cultural brasileira, perdeu aos poucos o seu poder. Hoje temos um Brasil muito mais moderno e urbano. O país se industrializou, dando origem às grandes metrópoles, a principal delas São Paulo. Já a partir da década de 70, nossa população urbana superou a rural, enquanto isto ocorreu mundialmente apenas no ano de 2008.

Também tivemos avanços na participação popular. Segundo estudiosos, a República é uma forma de governo onde o presidente é temporário e definido pelo povo, dentre o povo, podendo ser democrática ou aristocrática. Foi necessário algum tempo para que a população pudesse realmente exercer o direito de escolha de seus governantes. A República Velha foi marcada pelo voto de cabresto e as fraudes eleitorais. Somente na década de trinta as mulheres tiveram acesso às urnas e o voto passou a ser secreto. Nossa democracia foi também obscurecida por anos de ditadura militar, e apenas em 1989 os brasileiros puderam escolher novamente seu presidente através do voto direto.

Mas parece que os brasileiros ainda estão assistindo atônitos o desenrolar dos acontecimentos políticos nacionais. O direito ao voto, conquistado com tanta luta, é muitas vezes visto como uma desagradável obrigação e exercido de forma irresponsável.  Além disso, a simples escolha dos representantes não representa uma participação efetiva da população na vida política do país, é preciso que os eleitores fiscalizem de perto seus governantes. Hoje, temos também instrumentos que permitem a gestão participativa das políticas e recursos públicos, porém é preciso que nos apropriemos de fato deles.

Para ocupar seu espaço na gestão participativa é preciso que a população esteja preparada. Num país onde a educação é sempre relegada a segundo plano, é difícil ter agentes capacitados para este tipo de atividade. Temos por um lado a grande parte dos excluídos, que em sua maioria não tem conhecimento nos canais para lutar por seus direitos, e de outro a classe média conformada (ou inconformada), onde falta atitude na busca por mudanças significativas. Positivamente, temos alguns grupos engajados lutando por causas importantes ao país, mas que representam uma parcela muito pequena do potencial participativo brasileiro.

Portanto a pergunta que me faço ao pensar no aniversário de nossa república é: Qual o Brasil que queremos? Seremos de fato uma democracia? O Brasil do desenvolvimento, da justiça social, da educação e do futuro? Ou continuaremos sendo o Brasil da desigualdade, do jeitinho, do “faço porque todo mundo faz” ou do “não é problema meu”? A resposta a estas perguntas não depende de nossos governantes. Depende de nós, população, fazer o país que queremos.

Publicado por: Cláudia | outubro 29, 2009

The Fun Theory

The fun Theory é uma iniciativa muito interessante da filial sueca da Wolkswagen que realiza pequenas intervenções nos espaços públicos, mostrando que equipamentos urbanos divertidos podem gerar uma mudança positiva no comportamento de seus usuários.

As propostas incluem uma escada cujos degraus foram transformados em teclas de piano, a lixeira mais profunda do mundo e uma máquina de recicláveis que se assemelha a fliperamas.

Além disso a campanha prevê uma premiação para novas invenções que contribuam para tornar nosso dia-a-dia mais divertido.

Para saber mais: http://www.thefuntheory.com/

Publicado por: Cláudia | setembro 21, 2009

A Casa Espontânea

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Este é o título do trabalho que nos rendeu uma menção honrosa no concurso Prefab 20*20 – Visions for 400 Square Foot Homes.

O objetivo do concurso, organizado pela Architecture For Humanity Vancouver, o instituto de arquitetura da Universidade British Columbia, a Interior Design Show West 2009, e patrocinado pela revista Azure, era desenvolver uma moradia pré-fabricada de até 37,50 m², passível de ser construída em diversos locais do mundo, levando em conta aspectos construtivos, sociais e ambientais.

O projeto da “Casa espontânea” busca promover comunidades adensadas em grandes centros urbanos, através de módulos que podem ser agrupados, compondo estruturas variadas. Os módulos possuem uma base padrão com aberturas denominadas “Free Panels”, que podem ser customizáveis de acordo com a personalidade dos habitantes, cultura e clima do local onde serão inseridas, tornando o projeto único sempre.

O espaço da unidade se divide em três módulos. O primeiro e maior módulo corresponde ao espaço de vivência (cozinha, quarto, sala), o segundo abriga espaços para banho, concentrando a tubulação hidráulica da unidade, enquanto o último pode ser utilizado como local de trabalho.

A estrutura foi desenvolvida em módulos de 90 x 90 cm, em elementos metálicos, considerando a facilidade de transporte para diversos sítios do mundo.

Os projetos vencedores do concurso podem ser vistos no site: http://www.prefab2020.wordpress.com

Visualização da Prancha

Visualização da Prancha

Autoras do projeto: Cláudia Bastos Coelho e Mariana Matayoshi

Aproveito para fazer um agradecimento àqueles que acreditaram em nosso projeto e forneceram sua valiosa contribuição: Claudia Taminato (auxiliar na concepção), Etson Delegá (finalização de imagens e consultoria de diagramação), Luana Sato (consultoria técnica de engenharia estrutural) e Marco Antônio dos Anjos Corvo (tradução e interpretação do texto).

Publicado por: Cláudia | junho 22, 2009

Site do CAU

As entidades nacionais de Arquitetos e Urbanistas colocaram no ar, em caráter experimental, o site do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo).

O site traz informações sobre a tramitação do projeto de lei 4413/2008, que regulamenta o exercício da profissão e cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, além de manifestos e depoimentos de entidades vinculadas ao setor.

O Conselho próprio é sonho dos arquitetos brasileiros desde a década de 50. Hoje os profissionais participam do sistema CONFEA/CREA, que engloba mais de 200 profissões, dentre engenheiros, engenheiros agrônomos, geólogos, geógrafos, metereologistas, técnicos industriais e técnicos agrícolas, que deliberam sobre temas relativos à área profissional dos arquitetos e urbanistas. O Brasil é também o único país da América Latina que não possui um conselho exclusivo para arquitetos e urbanistas.

Para acompanhar a proposta acesse:

http://www.cau.org.br/

Publicado por: Cláudia | junho 7, 2009

A arquitetura brasileira no cinema e na televisão

No final de minha infância, lembro de ter me encantado com uma casa que era cenário do filme Dormindo com o inimigo. Anos depois, descobri que se tratava de uma obra do arquiteto americano Richard Meier.

Ainda me surpreendo ao reconhecer a arquitetura no cinema e na televisão, o que me faz refletir sobre como a arquitetura brasileira é retratada nas telas, já que o cinema nacional produz muitos títulos que tratam da temática da desigualdade social, tendo como grande cenário a favela. Pensando nisso, resgatei na memória algumas cenas  que mostram obras emblemáticas de nossa arquitetura. Coincidentemente a maioria delas está em filmes de grandes diretores.

Talvez a mais poética destas cenas seja a que retrata o conjunto do Pedregulho (Rio de Janeiro, 1952), de Affonso Eduardo Reidy, no filme Central do Brasil de Walter Salles. Trata-se de uma das principais obras do arquiteto, um projeto para habitação popular que englobava também espaços comerciais, de educação e lazer. O filme mostra um Pedregulho decadente, mesmo assim é possível ver beleza entre os enormes pilotis e os corredores curvilíneos protegidos por elementos vazados.

Conjunto Habitacional Pedregulho

Conjunto Habitacional Pedregulho

No filme Domésticas, Fernando Meirelles traz às telas um grande edifício da arquitetura paulista, o Louveira, de João Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi. Muitas cenas do filme se passam na área de serviço do prédio localizado no Higienópolis. Certa vez, ao assistir o filme junto a uma amiga assistente social, mencionei que se tratava do prédio de um grande arquiteto. Ela afirmou não ver nada de especial na obra, criticando inclusive o espaço reduzido das dependências destinadas às empregadas. Eu, particularmente acho o prédio muito bonito. Bem, uma minissérie da rede Globo, nos permitiu conhecer o Louveira também pela porta da frente, o edifício era endereço da personagem vivida por Débora Bloch em Queridos Amigos. Esta minissérie tem como cenário outra grande obra. A casa do personagem Léo (Dan Stulbach) é a casa Edmundo Canavelas em Petrópolis, projeto de Niemeyer com paisagismo de Burle Marx.

A obra de Niemeyer pode ser vista nos cinemas no último filme de Glauber Rocha, A idade da terra (1980). O filme mostra o Teatro Nacional em construção e associa o edifício a uma pirâmide. Realmente, o projeto de Niemeyer aliado aos blocos do artista plástico Athos Bulcão trazem singularidade à obra, remetendo às grandes construções das civilizações pré-colombianas.

Teatro Nacional
Teatro Nacional

Outra obra de Niemeyer, o edifício Copan, esteve bastante presente na recente série Alice da HBO. A série teve a cidade de São Paulo quase como uma protagonista, nos levando a alguns espaços bastante representativos da metrópole como o parque do Ibirapuera, a nova ponte das Águas Espraiadas, o viaduto do Chá e o bairro da Liberdade. Era na galeria do Copan que a tia de Alice, Luli, possuía um brechó. No último capítulo descobrimos que o edifício abrigava também o apartamento de Nicolas, o amigo/namorado de Alice. Bem, mas as cenas de reconciliação entre os dois personagens foram tão quentes que ninguém deve ter prestado muita atenção no apartamento.

Outro dia estava “zapeando” com o controle da tv e dou de cara com um clipe de uma Wanessa e Ja Rule na VH1. Demorei para descobrir que se tratava da Wanessa Camargo. De qualquer forma, lá estava ele de novo, o Copan, agora visto de um ângulo pouco conhecido, os fundos, onde não existem os brises de concreto. Vale a pena dar uma olhada.

O edifício Copan também é destino comum das agências de publicidade. Aliás, tenho presenciado muitas propagandas que retratam o centro de São Paulo. Os anunciantes vão desde achocolatado na Praça Roosevelt ao carro do Jack Bauer junto à marquise de Paulo Mendes da Rocha na praça do Patriaca.

Para conhecer mais sobre as obras citadas:

Além de recomendar todos os filmes e séries aqui citados, há alguns documentários recentes que tratam da obra de Reidy e Niemeyer:

Pedregulho – O sonho é possível (2008) de Ivana Mendes

Reidy, a Construção da Utopia (2008) de Maria Magalhães

Oscar Niemeyer: A Vida é um Sopro (2007) de Fabiano Maciel

Publicado por: Cláudia | maio 25, 2009

A mais esperada estréia dos últimos anos: o Cine Marabá

No próximo sábado o Cine Marabá, localizado na avenida Ipiranga, abre suas novas salas ao público.

O cinema, símbolo da cinelândia paulistana, foi inaugurado em 1944 e entrou em decadência na década de oitenta. O espaço foi comprado pelo grupo PlayArt e está fechado desde 2007. Por ser um edifício tombado pelo Departamento de Patrimônio Histórico, a reforma teve que atender a vários requisitos visando manter as características originais da obra, muitas delas reconstituídas por uma equipe de restauro.

O Marabá, que contava com uma grande sala de 1655 lugares, se transformou em um multiplex com cinco salas, adaptando-se aos novos tempos. Apesar de manterem elementos da arquitetura original, as salas não deixarão nada a desejar em relação aos mais novos cinemas de São Paulo, e devem apresentar títulos do circuito comercial, o que já podemos confirmar com os filmes de estréia: Jonas Brothers: The 3d Concert Experience e Uma noite no Museu 2. De qualquer forma, rever o Marabá vale o ingresso.

Para não perder a estréia:

Onde: Av. Ipiranga, n.757 (próximo ao metrô República)

Quando: dia 30 de maio

OBS: A PlayArt ainda não disponibilizou os horários das salas e valores das sessões

Publicado por: Cláudia | maio 16, 2009

Mais do Mesmo: Minha Casa, Minha Vida

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Nesta segunda-feira cerca de 450 integrantes do Movimento Nacional Pró-moradia protestaram em frente ao Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, onde o presidente despacha provisoriamente. O objetivo do protesto, de forma geral, era garantir que o programa “Minha Casa, Minha Vida” venha a favorecer a população entre as faixas de zero a três salários mínimos.

Realmente, a viabilização do atendimento às populações mais carentes ainda desperta muitas incertezas. Participei na semana passada de um debate no instituto Polis, com a presença de Raquel Rolnik, professora da FAU/USP e relatora especial da ONU, Evaniza Rodrigues, liderança da União dos Movimentos de Moradia e Patrick Araújo, da secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano de Osasco, que tratava justamente do programa “Minha Casa, Minha Vida”, e levantou algumas questões importantes sobre o tema.

O programa “Minha Casa, Minha Vida” surgiu como uma proposta de enfrentamento à crise econômica. Com a globalização do mercado, a produção imobiliária passou a ter um importante papel na captação do excedente financeiro global. O colapso do modelo financeiro atinge o Brasil no momento em que as grandes construtoras estavam prontas para o mercado. Desta forma, o pacote anticrise veio garantir a demanda das construtoras através do subsídio à habitação, gerando também empregos na construção civil. A medida não é novidade e já teve precursores no Chile e México, com resultados questionáveis do ponto de vista urbanístico.

O primeiro problema começa no público alvo das construtoras, que está acima da faixa de 4 salários mínimos, não havendo interesse por parte delas de produzir habitação para a baixa renda, justamente onde se concentra a maior demanda. Assim, para garantir o atendimento às famílias nas faixas de zero a três salários mínimos, o governo propôs a produção dos empreendimentos pelos municípios.

O lançamento do “Minha Casa, Minha Vida vem trazendo diversos problemas aos municípios que, despreparados, tiveram que se organizar às pressas para atender às inúmeras solicitações de informação e inscrição no programa, sem ter ainda terrenos e projetos definidos para o atendimento. A situação de agrava nas áreas metropolitanas onde a demanda é maior, com terrenos escassos e caros. Há ainda a dificuldade de se compatibiliazar os novos empreendimentos aos planos diretores e às políticas habitacionais locais, além da falta de recursos municipais para contrapartida aos recursos do governo federal.

Não podemos negar que o programa representa um grande avanço para o setor habitacional. A disponibilidade de 34 bilhões de reais para a construção de novas unidades é um fato inédito no país, e representa o reconhecimento do direito à moradia, já que viabiliza recursos subsidiados podendo atingir a classe mais carente. A habitação também passa a ter um papel de destaque, sendo vista como solução para a crise.

Por outro lado, o programa desconsidera o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social e a política habitacional existente. Os recursos viabilizados não irão para o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social. Este fundo representa a conquista de anos de luta dos movimentos de moradia, sendo fruto do primeiro projeto de iniciativa popular apresentado ao Congresso Nacional, em 1991, e aprovado em 2004.

Além disso, considera-se uma única maneira de produzir e compreender a habitação: a aquisição da casa própria com a construção de novas unidades.  E o mais preocupante, a moradia é vista de maneira quantitativa e como unidade isolada, não inserida no contexto urbano. A moradia digna deve ter como pressuposto o acesso à cidade, ou seja, permitir que os moradores tenham facilidade aos serviços de transporte, educação, lazer e saúde, o que não é viabilizado nas áreas comumente destinadas à baixa renda, os terrenos mais baratos, periféricos e desprovidos de infra-estrutura urbana.

Estes fatores fizeram com que Evaniza Rodrigues definisse sabiamente o programa como “mais do mesmo”. Hoje possuímos instrumentos que nos permitem implantar cidades mais dignas, mas não há incentivo para colocá-los em prática. Talvez, o aporte de recursos para habitação através do programa “Minha Casa, Minha Vida”  pudesse ser o ponto de partida para este processo.

A pressão de movimentos e organizações ligados à habitação já trouxe alguns avanços ao programa, como a viabilização de recursos para a regularização fundiária e a possível  aprovação de investimentos  na requalificação de imóveis em áreas centrais. Porém ainda há muito a melhorar. Acredito que um dos pontos falhos é a questão da assessoria técnica. O programa não prevê recurso para o trabalho social e não incentiva a variedade arquitetônica, já que oferece projetos padrões que podem ser implantados em qualquer município do país, enquanto poderia ser a oportunidade para impulsionar o trabalho de profissionais de arquitetura e engenharia, e melhorar a qualidade das moradias de baixa renda. Outro ponto fundamental é a integração com o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social e a revisão do papel dos municípios e movimentos sociais no programa.

Certamente, ainda há muito que se discutir sobre o “Minha Casa, Minha Vida”. A proposta foi elaborada às pressas como forma de enfrentamento à crise, deixando muitas arestas a serem aparadas.  Acredito que a solução está em aprimorar o programa com a participação da sociedade, através de debates e propostas, garantindo que os recursos sejam aplicados na construção de cidades mais justas e mais dignas.

Publicado por: Cláudia | maio 4, 2009

Virada Cultural


Apresentação da Cie Beau Geste

Apresentação da Cie Beau Geste

Este ano tive a oportunidade de participar pela primeira vez de uma Virada Cultural. Ainda que tenha acompanhado as atividades por um curto período, entre a noite de sábado e a madrugada do domingo, pude sentir de perto o espírito da festa.

A programação contou com diversas apresentações de grupos franceses em comemoração ao ano da França no Brasil. Acompanhei a Cie Beau Geste com o seu “Transports Exceptionnels”, uma coreografia entre um bailarino e uma retroescavadeira. A apresentação oscila entre o suave e o brutal, com a pá da retroescavadeira ora protegendo o bailarino, ora atacando. O resultado é uma coreografia fascinante.

Fascinante também foi a performance de Les Souffleurs, “a confissão dos pássaros viajantes”, que transformou a catedral da Sé numa grande instalação. A cena era composta por pássaros sobre plataformas que sussurravam poesias ao público através de tubos de neon azul. Tudo isso sob a penumbra da nave central, emoldurada por uma suave luz vinda dos vitrais. Lindo! Só poderia ser melhor se os pássaros não fossem tão seletivos. Como o público era grande, foi difícil permitir que todos ouvissem as poesias.

Pude ver ainda, embora não tenha ouvido o som que a anunciou o início da Virada, as sirenes do grupo Mécanique Vivante, na praça do Patriarca, que deram um ar festivo à marquise de Paulo Mendes da Rocha. Logo ao lado, o edifício Matazazzo, sede da prefeitura, foi tomado por projeções das mais diversas, feitas pelo Laborg, que surpreenderam por sua precisão.

O vale do Anhangabaú foi certamente um dos pontos altos da festa, abrigando o palco da dança e algumas performances cênicas, e funcionando como um grande eixo integrando as atividades. Sobre o viaduto do Chá, que mais do nunca exerceu seu papel de ligação entre o centro velho e o novo, artistas circenses exibiam números impressionantes pendurados por cabos que ligavam o edifício Matarazzo ao shopping Light.

Acompanhei também um pouquinho do samba rock no palco da avenida Rio Branco e dos espetáculos de dança. Mas confesso que ao ver as fotos dos eventos, fiquei um pouco frustrada por ter perdido Jon Lord e a Orquestra Sinfônica Municipal e a instalação de fogo da Cie Carabosse no parque da Luz. Mas fica uma dica, ao se programar para a Virada é preciso estar inteirado das atrações e elaborar um roteiro prévio para aproveitar ao máximo, já que não é possível ver tudo.

Como pontos baixos, que podem ser melhorados no próximo ano, citaria os problemas com a limpeza, em grande parte gerados pela falta de conscientização do público, e  com o transporte, sobretudo com a concentração de usuários na estação Anhangabaú do metrô, o que certamente será sanado na próxima edição com a finalização das obras na estação República.

O centro vivo

Projeções no edifício Matarazzo

Projeções no edifício Matarazzo

Não posso deixar de dizer que foi emocionante ver toda essa movimentação no centro de São Paulo durante a noite. Meus olhos brilharam ao passar pela avenida Ipiranga e encontrar um hotel Marabá iluminado e em funcionamento, ver uma galeria Olido a pleno vapor e o vale do Anhangabaú sendo utilizado como espaço de convívio.

Pensando na revitalização do centro, é importante citar o projeto Momento Monumento, que também se inclui na lista das atividades do ano de França no Brasil. O objetivo é transformar um edifício vazio no largo do Paissandu num laboratório cultural, através da construção coletiva. As atividades iniciaram na Virada Cultural com a apresentação dos “vagalumes” e sua “Roda eletrônica”, aliás com uma ótima seleção musical. A idéia é que, ao final do ano, o edifício seja desativado ou, o que torcemos para que aconteça, seja de alguma forma absorvido pela cidade.

A meu ver, a Virada Cultural enfatiza a necessidade de se criar atividades noturnas para a região central, não apenas por dois dias. Trazer de volta a habitação, a cultura, o comércio e instituições que garantam o uso noturno da região, só irão contribuir para um Centro mais diverso, bonito e seguro, como deveria ser o destino de qualquer centro metropolitano.

Publicado por: Cláudia | maio 2, 2009

Sejam bem vindos!

Fábula de um arquiteto

João Cabral de Melo Neto

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e tecto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero, com confortos de matriz, outra vez feto.

Olá!

Meu nome é Cláudia.  Estou criando este blog como um espaço alternativo para a discussão das cidades, sua arquitetura e seus habitantes.

O blog ainda não tem uma linha definida, ele é aberto, assim como a arquitetura vista por João Cabral de Melo Neto.  Um espaço para discutir tudo que acontece de interessante em nossas cidades.

Sejam bem vindos!

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